{"id":45,"date":"2011-04-18T13:42:05","date_gmt":"2011-04-18T13:42:05","guid":{"rendered":"http:\/\/aves.edu.pt\/cle\/?p=45"},"modified":"2011-10-14T18:20:27","modified_gmt":"2011-10-14T18:20:27","slug":"um-rally-a-volta-do-contrato-de-leitura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/aves.edu.pt\/cle\/?p=45","title":{"rendered":"Um Rally \u00e0 volta do Contrato de Leitura"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong> <\/strong><strong>N\u00e3o quisemos que as possibilidades do Contrato de Leitura se esgotassem na leitura e apresenta\u00e7\u00e3o do livro \u00e0 turma. Reunidos os t\u00edtulos, pediu-se aos alunos que escolhessem 7 deles e que fizessem um <em>rally de t\u00edtulos<\/em>, isto \u00e9, que escrevessem uma narrativa na qual tivessem que integr\u00e1-los de modo coerente, independentemente do conte\u00fado de cada livro. <em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\"><a href=\"http:\/\/aves.edu.pt\/cle\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/rally-leitura.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-64\" src=\"http:\/\/aves.edu.pt\/cle\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/rally-leitura-300x175.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"175\" srcset=\"http:\/\/aves.edu.pt\/cle\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/rally-leitura-300x175.jpg 300w, http:\/\/aves.edu.pt\/cle\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/rally-leitura.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Na mais alta solid\u00e3o<\/span> , ela estava pensativa a olhar pela janela. <span style=\"text-decoration: underline\">A lua de Joana<\/span> estava bem l\u00e1 no alto a brilhar para ela. \u00ab<span style=\"text-decoration: underline\">Eu tenho um sonho\u00bb<\/span>, <span style=\"text-decoration: underline\">eu quero viver<\/span>\u00bb, diz Joana despertando do seu pensamento. Ent\u00e3o a adolescente deitava-se para dormir em busca de um novo dia. Come\u00e7ando a aparecer o sol na sua janela, Joana acordou. Levantou-se na ideia que tinha algo a realizar. Decidiu falar com a sua m\u00e3e que j\u00e1 se tinha levantado:<\/p>\n<p>&#8211; M\u00e3e! Gostava de te perguntar uma coisa.<\/p>\n<p>&#8211; Diz Joana.<\/p>\n<p>&#8211; Ser\u00e1 que eu n\u00e3o poderia ir com a Alice na viagem?<\/p>\n<p>&#8211; Oh, Joana. A tua irm\u00e3 vai de lua de mel, n\u00e3o podes ir com ela.<\/p>\n<p>&#8211; Mas eu gostava tanto. Por favor, <span style=\"text-decoration: underline\">perguntem \u00e0 Alice<\/span>.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, isso est\u00e1 fora de quest\u00e3o. Mas tive uma ideia, porque n\u00e3o falas com o teu primo, o Magalh\u00e3es, que toca piano e viaja imenso? Tu gostas tanto dele.<\/p>\n<p>&#8211; Isso mesmo m\u00e3e, vou gostar muito.<\/p>\n<p>Joana preparava-se para realizar o seu sonho. Telefonou para o seu primo e grande amigo Magalh\u00e3es, a quem ela\u00a0 costumava chamar <span style=\"text-decoration: underline\">o pianista<\/span>.<\/p>\n<p>Ao fim do telefonema, Joana estava extremamente contente. O seu primo tinha aceitado fazer uma viagem com ela, tamb\u00e9m porque a sua mulher teve um imprevisto e n\u00e3o p\u00f4de ir, ficando Magalh\u00e3es com um bilhete a mais. A viagem seria para \u00c1frica, onde o primo de Joana iria dar um concerto. No dia da viagem Joana perguntou ao seu grande amigo o que iriam fazer durante o passeio. Magalh\u00e3es respondeu que iriam fazer muitas coisas mas que na primeira noite ela iria assistir ao concerto dele. Joana perguntou subitamente:<\/p>\n<p>&#8211; Mas vai dar tempo para admirar por um bocadinho a minha lua?<\/p>\n<p>&#8211; Decerto que nessa noite n\u00e3o, mas tem calma <span style=\"text-decoration: underline\">a lua pode esperar<\/span> uma noite por ti.<\/p>\n<p>&#8211; Pois tens raz\u00e3o, primo.<\/p>\n<p>&#8211; Eu sei, lembra-te que est\u00e1s a realizar o teu sonho, e que agora <span style=\"text-decoration: underline\">o mundo \u00e9 a rua da tua inf\u00e2ncia<\/span>.<\/p>\n<p>Os dias da viagem iam chegando ao fim. Joana ia guardando lembran\u00e7as da sua primeira viagem. Num passeio, <span style=\"text-decoration: underline\">\u00c1frica acima<\/span>, Joana seguia <span style=\"text-decoration: underline\">nos passos de Magalh\u00e3es<\/span>, quando de repente no meio do nada, Joana descobriu uma pequena flor muito bonita, cor-de-laranja, como o seu cabelo. Nesse momento, o seu primo pianista chamou Joana por <span style=\"text-decoration: underline\">Flor do deserto<\/span>. Joana ficou muito contente com esse nome, guardando aquela flor como a melhor recorda\u00e7\u00e3o da sua primeira viagem de sonho.<\/p>\n<p>Margarida, 10.\u00baB<\/p>\n<p>_________________________<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos no dia 21 de Julho de 1969, ia eu <span style=\"text-decoration: underline\">\u00c1frica acima<\/span>, quando dei por mim fatigado, sedento e faminto. O mesmo acontecia com os meus companheiros. Caminh\u00e1vamos <span style=\"text-decoration: underline\">na mais alta solid\u00e3o<\/span>, enquanto Amstrong pisava a nossa querida Lua, um acontecimento hist\u00f3rico segundo viemos a saber quando acabou a nossa expedi\u00e7\u00e3o. E querida porqu\u00ea? Porque a noite significava descanso para mim e meus companheiros, o que era um privil\u00e9gio para n\u00f3s. Depois de dias cansativos a caminhar e a levar com o sol ardente na cara, t\u00ednhamos no final do dia o nosso descanso merecido.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Nos passos de Magalh\u00e3es, <\/span>\u00edamos, anos mais tarde, dia 7 de Fevereiro de 1975, curiosamente ou n\u00e3o, era o meu anivers\u00e1rio. Nesse ano desejava visitar a costa da Am\u00e9rica do Sul, como Fern\u00e3o Magalh\u00e3es fez ao servi\u00e7o de Espanha. Devo dizer-vos: umas paisagens e umas praias bel\u00edssimas, cheias de vida, \u00e1gua l\u00edmpida, onde apetecia mergulhar. Seriamente, paisagens para mais tarde recordar\u2026<\/p>\n<p>Trag\u00e9dia, grande trag\u00e9dia! Ia eu acompanhado de um amigo meu, <span style=\"text-decoration: underline\">o pianista<\/span>, grande s\u00e1bio quando se fala em m\u00fasica. Era dia 1 de Janeiro de 1980, acord\u00e1vamos n\u00f3s depois de uma passagem de ano, na Ant\u00e1rctida, uma passagem de ano muito, muito fria, pudera tamb\u00e9m n\u00e3o foi dos melhores locais para esta data. Mas continuando este relato: acordei bastante gelado, sentindo que estava talvez a entrar em hipotermia. Ent\u00e3o disse bem alto ao meu colega: \u00ab<span style=\"text-decoration: underline\">eu quero viver!\u00bb<\/span> que depois de ouvir este meu grito de desespero, saltou logo da cama. Cama como quem diz pois est\u00e1vamos\u00a0 num iglu.<\/p>\n<p>Depois destas viagens que, nem por sombra est\u00e3o aqui todas contadas, pois imaginem o tempo que demoraria contar todos os epis\u00f3dios interessantes que vivi, venho contar-vos um momento de gargalhada total. Estava eu no Porto com a Alice, a minha mulher,\u00a0 e de repente ela lembrou-se de trazer umas flores lind\u00edssimas que havia l\u00e1 numa florista, e olhei eu para o nome da casa, quando dei com um dos maiores erros que j\u00e1 vi em toda a minha vida. N\u00e3o \u00e9 que a Senhora ou quem mandou fazer o nome se enganaram! Vejam s\u00f3, a casa chamava-se \u201cFrlorista\u201d! Meu Deus, como \u00e9 poss\u00edvel?! E nesse momento em que estava a contar isso \u00e0s minhas duas filhas, disseram elas assim: \u00abN\u00e3o gozes Pap\u00e1\u00bb, e eu, de imediato, respondi: \u00abn\u00e3o acreditam?! <span style=\"text-decoration: underline\">Perguntem \u00e0 Alice\u00bb .<\/span><\/p>\n<p>Depois destas viagens todas, repletas de epis\u00f3dios curiosos, <span style=\"text-decoration: underline\">eu tenho um sonho ,<\/span> um sonho que ainda est\u00e1 por realizar\u00a0 &#8211;\u00a0\u00a0 ir ao Espaaaaaa\u00e7o!<\/p>\n<p>Paulo Alexandre, 10.\u00ba B<\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p>Segui pela<span style=\"text-decoration: underline\"> \u00c1frica acima<\/span>.<\/p>\n<p>Foi uma decis\u00e3o repentina, apenas me apeteceu fazer uma viagem sem data prevista para o regresso. Viajar ao sabor do vento. Aterrei num aeroporto da Cidade do Cabo, na \u00c1frica do Sul. Olhei \u00e0 volta. Havia letreiros: uns em ingl\u00eas, outros em afric\u00e2nder, alguns em zulu\u2026Estava completamente perdida, mas afinal era isso que eu queria, uma viagem com um destino imprevisto!<\/p>\n<p>Lembro-me que nessa noite dormi numa pens\u00e3ozita no centro da cidade. Estava cheia de estrangeiros. Tinha um refeit\u00f3rio comum. Enquanto desfrutava calmamente do meu primeiro pequeno-almo\u00e7o africano senti algu\u00e9m a sentar-se \u00e0 minha frente. Levantei o olhar, e vi um homem.<\/p>\n<p>&#8211; Hi! &#8211; disse ele.<\/p>\n<p>Respondi da mesma maneira. Uma das vantagens desta viagem era mesmo essa, treinar uma l\u00edngua estrangeira. Come\u00e7ou por perguntar se eu n\u00e3o me importava de o ter como companhia nesta refei\u00e7\u00e3o. Respondi que n\u00e3o. Era uma \u00f3ptima ideia ter algu\u00e9m com quem conversar. Era um <span style=\"text-decoration: underline\">pianista<\/span> americano. Contou-me que ia viajando pelo mundo, tocando em v\u00e1rios s\u00edtios. Falou-me das suas viagens, dos m\u00fasicos que conhecera, dos palcos onde estivera. Comecei a imaginar a aventura que seria a vida dele, viajando sempre ao som da sua maior paix\u00e3o: a m\u00fasica. Ao fim de meia hora despediu-se dizendo que tinha de ir ensaiar.<\/p>\n<p>No dia seguinte, l\u00e1 estava a saborear aquele delicioso <em>croissant <\/em> com fiambre, quando ele se sentou outra vez \u00e0 minha frente, mas desta vez n\u00e3o perguntou se eu queria a companhia. Deve ter adivinhado que queria. Retom\u00e1mos a conversa do dia anterior. A certa altura disse-me para falar sobre mim.<\/p>\n<p>&#8211; <span style=\"text-decoration: underline\">I have a dream<\/span>\u2026 &#8211; comecei por dizer. Ir \u00e0 Lua era o meu sonho. Expliquei\u2011lhe que sempre tive a necessidade de viajar, que quando estava no mesmo s\u00edtio durante muito tempo me sentia presa, e que ir \u00e0 Lua era o m\u00e1ximo dos m\u00e1ximos para uma viajante como eu. Ele respondeu-me dizendo que <span style=\"text-decoration: underline\">A<\/span> <span style=\"text-decoration: underline\">Lua podia esperar<\/span>, que ainda havia muitas maravilhas para ver no nosso planeta. De facto ele tinha raz\u00e3o, ainda me falta tanto para ver. Foi ent\u00e3o que ele me perguntou se podia acompanhar-me ao longo da minha viagem. Fiquei surpreendida com a proposta, pois pensei que mal ele acabasse o seu concerto, voltaria para os Estados Unidos. Comecei a pensar se n\u00e3o seria um pouco arriscado viajar com algu\u00e9m que mal conhecia, mas por outro lado, se ele me acompanhasse nessa viagem sempre era uma maneira de o conhecer melhor!<\/p>\n<p>Disse-lhe que teria imenso gosto!<\/p>\n<p>J\u00e1 est\u00e1vamos em viagem h\u00e1 quase duas semanas, quando algo inesperado aconteceu. T\u00ednhamos acabado de chegar \u00e0quela vila angolana (cujo nome n\u00e3o recordo) e est\u00e1vamos \u00e0 procura de um lugar para dormir quando tudo come\u00e7ou.<\/p>\n<p>Entr\u00e1mos numa pequena mercearia para comprar umas sandu\u00edches. De repente, entraram dois homens armados, e sem perceber como, eles atiraram algo e a lojinha ficou cheia de fumo. A \u00faltima coisa que ouvi foi o merceeiro a gritar:<\/p>\n<p>&#8211; <span style=\"text-decoration: underline\">Eu quero viver<\/span>!<\/p>\n<p>Comecei a sentir-me tonta e ca\u00ed redonda no ch\u00e3o. Abri suavemente os meus olhos e a primeira coisa que vi foi algu\u00e9m a olhar para mim. \u00c0 medida que a minha vis\u00e3o ia focando, ia vendo aqueles espantosos olhos rasgados maravilhosamente pintados de avel\u00e3. Que bela vis\u00e3o para um primeiro acordar!<\/p>\n<p>Era ele, o pianista, meu companheiro de viagem americano.<\/p>\n<p>Matilde Velloso, 10.\u00baB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; N\u00e3o quisemos que as possibilidades do Contrato de Leitura se esgotassem na leitura e apresenta\u00e7\u00e3o do livro \u00e0 turma. 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