{"id":1119,"date":"2013-03-06T15:30:44","date_gmt":"2013-03-06T15:30:44","guid":{"rendered":"http:\/\/aves.edu.pt\/tas\/?p=1119"},"modified":"2013-03-19T23:03:40","modified_gmt":"2013-03-19T23:03:40","slug":"medicos-reduzem-virus-da-sida-em-bebe-para-niveis-que-permitem-falar-em-cura-funcional","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/aves.edu.pt\/tas\/?p=1119","title":{"rendered":"M\u00e9dicos reduzem v\u00edrus da sida em beb\u00e9 para n\u00edveis que permitem falar em &#8220;cura funcional&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Crian\u00e7a infectada \u00e0 nascen\u00e7a por VIH foi tratada com medicamentos mais agressivos e ficou com n\u00edveis do v\u00edrus quase indetect\u00e1veis.<\/strong><\/p>\n<p>Um grupo de m\u00e9dicos norte-americanos apresentou aquele que consideram ser o primeiro caso de \u201ccura funcional\u201d de um beb\u00e9 infectado com o v\u00edrus da sida pela m\u00e3e.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a tinha sido infectada \u00e0 nascen\u00e7a pelo v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana (VIH), transmitido pela m\u00e3e seropositiva, que desconhecia estar infectada durante a gravidez. Para os virologistas, n\u00e3o se trata da erradica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, mas sim do seu enfraquecimento, de tal maneira que o sistema imunit\u00e1rio da crian\u00e7a p\u00f4de control\u00e1-lo sem medicamentos anti-retrovirais.<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o do caso foi feita no domingo na 20.\u00aa Confer\u00eancia Anual de Retrov\u00edrus e Infec\u00e7\u00f5es Oportunistas, em Atlanta, Estados Unidos, adianta a AFP. O beb\u00e9, natural do estado rural do Mississippi, come\u00e7ou a ser tratado com anti-retrovirais cerca de 30 horas ap\u00f3s o seu nascimento, um m\u00e9todo pouco habitual e que poder\u00e1 ter sido a chave da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>A terap\u00eautica usada, mais agressiva e precoce, poder\u00e1 explicar a cura funcional da crian\u00e7a, ao bloquear a forma\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios virais dif\u00edceis de tratar, de acordo com os m\u00e9dicos. As c\u00e9lulas contaminadas &#8220;dormentes&#8221; relan\u00e7am a infec\u00e7\u00e3o na maior parte das pessoas seropositivas, em algumas semanas ap\u00f3s a suspens\u00e3o dos anti-retrovirais.<\/p>\n<p>Deborah Persaud, m\u00e9dica e professora associada no Centro Infantil Johns Hopkins, que liderou a investiga\u00e7\u00e3o, assegura que a crian\u00e7a, agora com dois anos e meio, esteve quase um ano sem medica\u00e7\u00e3o, per\u00edodo durante o qual n\u00e3o apresentou sinais do v\u00edrus activo. Segundo a especialista, principal autora do relat\u00f3rio cl\u00ednico, a carga viral no sangue do beb\u00e9 come\u00e7ou a baixar assim que come\u00e7ou a ser tratado.<\/p>\n<p>Persaud e outros m\u00e9dicos garantem que a crian\u00e7a esteve realmente infectada com o VIH, ao responder positivo \u00e0 presen\u00e7a do v\u00edrus no sangue em cinco testes, efectuados no primeiro m\u00eas de vida. O beb\u00e9 foi tratado com anti-retrovirais at\u00e9 ter um ano e meio, idade a partir da qual os m\u00e9dicos perderam o seu rasto, durante dez meses. Ao longo deste per\u00edodo, a crian\u00e7a n\u00e3o recebeu qualquer terap\u00eautica. Os m\u00e9dicos fizeram, posteriormente, uma s\u00e9rie de testes sangu\u00edneos, sem detectar a presen\u00e7a do VIH no sangue do beb\u00e9.<\/p>\n<h3>Uma vida sem medicamentos<\/h3>\n<p>Tamb\u00e9m a m\u00e9dica Hannah Gay, que acompanhou a crian\u00e7a, adiantou ao Guardian que apesar dos n\u00edveis indetect\u00e1veis nas an\u00e1lises existem alguns vest\u00edgios do v\u00edrus no organismo da crian\u00e7a, mas que lhe permitir\u00e3o ter uma vida normal e sem medicamentos, j\u00e1 que n\u00e3o tem capacidade de se multiplicar.<\/p>\n<p>De acordo com os virologistas, a supress\u00e3o da carga viral do VIH, sem tratamento, \u00e9 extremamente rara, sendo observada em menos de 0,5% dos casos de adultos infectados, cujo sistema imunit\u00e1rio impede a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e o torna clinicamente indetect\u00e1vel.<\/p>\n<p>Novos estudos est\u00e3o a ser equacionados para aferir se tratamentos precoces e agressivos, como os da crian\u00e7a do Mississippi, funcionam noutros beb\u00e9s infectados.Os tratamentos anti-retrovirais na m\u00e3e permitem evitar a transmiss\u00e3o do v\u00edrus ao feto em 98% dos casos, segundo os especialistas.<\/p>\n<p>Contudo, o an\u00fancio feito na confer\u00eancia internacional j\u00e1 gerou algumas reac\u00e7\u00f5es entre os mais c\u00e9pticos, que acreditam que a crian\u00e7a nunca esteve realmente infectada e que os testes apenas deram positivo logo ap\u00f3s o parto por a m\u00e3e ter o v\u00edrus. O caso tamb\u00e9m se torna bastante particular, j\u00e1 que os m\u00e9dicos nunca parariam intencionalmente a medica\u00e7\u00e3o se a m\u00e3e n\u00e3o tivesse deixado de comparecer nas consultas, escreve o Los Angeles Times.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi financiada pelo Instituto Nacional de Sa\u00fade norte-americano (National Institutes of Health) e a Funda\u00e7\u00e3o Americana para a Investiga\u00e7\u00e3o da Sida (American Foundation for AIDS Research).<\/p>\n<p>Este beb\u00e9 torna-se na segunda pessoa em todo o mundo em que \u00e9 referida uma \u201ccura funcional\u201d. O primeiro caso aconteceu em 2007 mas s\u00f3 foi oficializado em Dezembro de 2010, quando a comunidade m\u00e9dica confirmou que um norte-americano, na altura com 42 anos, residente em Berlim e infectado pelo VIH, tinha desenvolvido uma leucemia aguda. A quimioterapia falhou e seguiu-se um transplante de medula \u00f3ssea. Ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o, as an\u00e1lises revelaram que o v\u00edrus respons\u00e1vel pela sida tinha desaparecido do seu corpo e os m\u00e9dicos deram-no como curado.<\/p>\n<h3>Portugal com transmiss\u00e3o residual<\/h3>\n<p>Em Portugal, os casos de transmiss\u00e3o de VIH m\u00e3e\/filho j\u00e1 s\u00e3o quase residuais. Entre 1999 e 2010 nasceram 2656 crian\u00e7as em risco de infec\u00e7\u00e3o, sendo que em 70 casos houve transmiss\u00e3o da m\u00e3e para o beb\u00e9, segundo dados do Instituto Nacional de Sa\u00fade Dr. Ricardo Jorge (INSA).<\/p>\n<p>Neste momento, por ano nascem mais de 250 crian\u00e7as de m\u00e3es infectadas pelo v\u00edrus da sida. Em 2010, \u00faltimo ano com os dados totais dispon\u00edveis, nasceram 264 crian\u00e7as de m\u00e3es com VIH, com a taxa de transmiss\u00e3o nos 1,9%, o que significa que houve cinco positivos para o v\u00edrus. Ainda assim, estes s\u00e3o n\u00fameros muito diferentes dos de 1999, quando nasceram 97 crian\u00e7as, seis delas infectadas, o que corresponde a uma taxa de 6,2% \u2013 a mais elevada at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o das taxas anuais de transmiss\u00e3o m\u00e3e-filho do VIH para n\u00edveis pr\u00f3ximos do 1% at\u00e9 2016 \u00e9 precisamente um dos principais objectivos do Programa Nacional para a Infec\u00e7\u00e3o VIH\/Sida em Portugal.<\/p>\n<p><strong>Data:<\/strong> 04-03-2013.<br \/>\n<strong>Fonte:<\/strong> <em>P\u00fablico<\/em>, <a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/n1586503\">http:\/\/www.publico.pt\/n1586503<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crian\u00e7a infectada \u00e0 nascen\u00e7a por VIH foi tratada com medicamentos mais agressivos e ficou com n\u00edveis do v\u00edrus quase indetect\u00e1veis. 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